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I Identificação
Sub-categoria: Escultura de Vulto
Denominação/Título: Cristo crucificado
Autoria/Produção: Autor desconhecido/Portugal (?)
Datação: Séc. XVI
Materiais: Madeira policromada
Dimensões: 70 cm x 20cm x 15 cm (dimensões aproximadas)
Proprietário: Lisboa, antiquário
Intervenções Posteriores: Foram detectadas pelo menos duas repolicromias totais.
II Estado de Conservação
Suporte: Muito Mau
- Ataque de insecto xilófago extremamente intenso, o que fragilizava drasticamente a resistência da madeira;
- Ataque fúngico extremamente intenso, o que fragilizava a drasticamente a resistência da madeira;
- Falta parcial de suporte devido ao ataque biológico;
- Falta dos braços e pernas, possivelmente derivado ao ataque biológico;
- Deposição de uma camada extremamente densa de sujidade e poeiras, o que constituía um ambiente muito propício ao ataque biológico.
Revestimento: Muito Mau
- Lacunas em grande quantidade e de dimensões muito consideráveis por toda a superfície;
- Levantamentos das policromias, alguns deles de áreas bastantes consideráveis, devido à grave falta de adesão entre as policromias e destas ao suporte, o que consistia um perigo eminente e poderia originar a sua perda total num curtíssimo espaço de tempo;
Camada de sujidade muito densa e poeiras sobre toda a superfície.
III Tratamento
Perante esta escultura do séc. XVI extremamente danificada, mas detentora de uma extraordinária expressividade, optou-se por aplicar um tratamento de Conservação e Restauro respeitando fundamentalmente o Princípio da Intervenção Mínima. Isto é, efectuar apenas operações no campo da Conservação, estabilização material, química e física da peça, preterindo as operações de Restauro.
Não faria qualquer sentido optar por operações de Restauro, reintegração formal do suporte e/ou cromática de uma das policromias, uma vez que a emissão da principal mensagem da representação iconográfica da escultura se mantém intocável, a Agonia de Cristo na altura da Sua morte.
Assim, o suporte foi consolidado de modo a restabelecer a sua integridade física roubada pelo profundo ataque biológico e desisfestado de modo a cesar o ataque biológico possivelmente ainda em actividade e prevenir futuros ataques biológicos. As policromias foram sujeitas a uma fixação de modo a travar o seu destacamento em curso, à remoção de sujidades aderentes e à aplicação de uma camada de protecção.
Uma peça de execução excelente e com esta antiguidade é a evidência que há obras de arte antigas que têm muito mais para transmitir que um mero valor decorativo.
Local: Atelier do conservador-restaurador Carlos Paulo Leal
Intervenientes: Carlos Paulo Leal (orientação) e André Varela Remígio
Ano: 2003
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